Mostra Sonora
Confiram os trabalhos selecionados para a Mostra Sonora do III Encontro Regional Sul da ABET!
Amba Werá | José Calixto Cohon & Anselmo Mancini, 5’29”, 2026
Sinopse: Cântico guarani re-imaginado em encontro com orquestra de Cordas. Das tradições milenares buscando fazer música juntos com todas as diferenças e desafios desse encontro de águas – Yy Jojou.
Bio: José Calixto Cohon é doutor em Musicologia pela USP e diretor do projeto Yy Jojou. Mauricio Biguai Poty é diretor do Coral Guarani Amba Werá, proponente e diretor do projeto Yy Jojou. Anselmo Mancini é diretor da Orquestra ALMAI e diretor do projeto Yy Jojou.
KÂREMU – PARU – Mulheres Kurâ-Bakairi – Grupo Kawynawa | Estela Ceregatti, 1’12”, 2026
Sinopse: Kâremu – As Canções Ancestrais das Mulheres Kurâ-Bakairi é um álbum realizado pelas mulheres Kurâ-Bakairi de Mato Grosso, idealizado por Isabel Taukane, com produção musical de Estela Ceregatti e apoio da SECEL-MT. Gravado em 2025, na aldeia Kuiakware, reúne 12 canções interpretadas por 13 mulheres indígenas, envolvendo repertórios dos ciclos Âriko, Êkóru e Iamurikumã. O projeto integra a pesquisa de mestrado em Antropologia Social de Estela Ceregatti e Profª. Drª. Sônia Regina Lourenço (PPGAS/UFMT), desenvolvida em formato de etnografia colaborativa. Lançado em março de 2026, o álbum propõe uma escuta sobre memória, ancestralidade, território e resistência através do canto das mulheres Kurâ-Bakairi.
Bio: Estela Ceregatti é cantora, compositora, instrumentista, produtora musical e pesquisadora de Cuiabá (MT). Graduada em Música pela UFMT, especialista em Antropomúsica e Cantoterapia pela Faculdade Rudolf Steiner (SP), é mestranda em Antropologia Social pelo PPGAS/UFMT, onde desenvolve a pesquisa Kâgâkâ – O Canto das Mulheres Kurâ-Bakairi, em formato de etnografia colaborativa. Com seis álbuns lançados, atua na produção musical de projetos ligados às culturas tradicionais e indígenas de Mato Grosso. É vencedora do Prêmio Profissionais da Música (2018 e 2023), Prêmio Grão de Música (2017), Funarte Respirarte (2020), Funarte Retomada (2024) e Prêmio Sebrae Música da Amazônia (2025).
Vestígios | Mariana Mostranges, 5’37”, 2026
Sinopse: A partir de áudios de WhatsApp trocados entre primas, apresento uma montagem sonora sobre memória, permanência e escuta diante da ausência. O trabalho parte da materialidade da voz digital como vestígio sensível de presença, articulando experiências de luto, parentesco e arquivo sonoro. Participam da montagem vozes autorizadas de familiares próximos, mobilizadas como fragmentos de convivência, luto, saudade e continuidade. Além da edição realizada no Audacity, alguns beats e ambiências sonoras foram produzidos experimentalmente pela autora por meio do aplicativo BandLab. A composição dialoga com discussões da Etnomusicologia ao pensar a escuta como prática de memória.
Bio: Mariana Mostranges é doutoranda em Antropologia Social pela UFSC e bolsista CAPES, com interesse em escuta, memória, música e experiências sonoras. Desenvolve pesquisas a partir de musicalidades negras e narrativas construídas a partir do som. Atualmente investiga as relações entre voz, afeto, pertencimento e escuta em contextos afro-brasileiros. A obra submetida marca sua primeira experimentação com produção e montagem sonora.
Canto Kawio do povo Apyãwa-Tapirapé | Ana Coutinho & Korako Tapirapé (Povo Apyãwa), 6’30”, 2017
Sinopse: O canto Kawio, dividido em cinco partes, é associado tanto ao ritual de distribuição de bens do chefe quanto ao momento do resguardo do homicida nas épocas das guerras do passado. Temos o intuito de compartilhar esse canto na mostra sonora para abrir um diálogo entre antropólogas não-indígenas, antropólogo apyãwa e etnomusicólogas sobre a a dimensão dessa arte sonora, conjugando-a às artes verbais do povo apyãwa. Embora os Apyãwa tenham um vasto repertório de cantos, e extensamente estudado por acadêmicos indígenas, esse conjunto de artes verbais/sonoras são ainda pouco debatidas de modo público. Paroo´i Tapirapé, cantor do povo apyãwa, estará presente na mostra (de modo remoto) para dialogar com os ouvintes sobre alguns aspectos do canto Kawio.
Bio: Ana Coutinho é Doutora em Antropologia Social pelo PPGAS-Museu Nacional (UFRJ). Atualmente realiza pós-doutorado junto ao MECILA-CEBRAP-USP. É integrante do Laboratório de Antropologia Ritual e Memória (LARMe) do PPGAS – Museu Nacional. Tem experiência de campo na região do Médio Araguaia. Participa do projeto colaborativo de elaboração e construção do Museu Apyãwa-Tapirapé pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Áreas de atuação: antropologia dos objetos e dos rituais; etnologia indígena; teoria antropológica; museus indígenas.
Fiesta en el Katsa Su | Herminsul Paí, Jorge Paí, grupo Visionarios Attɨm awá, Billy Tobar, 2’55”, 2025
Sinopse: “Fiesta en el Katsa Su” retrata mi aprendizaje en las artes de la escucha y el acompasar de la marimba de chonta en el Pacífico Sur colombiano. Es un recorrido por el katsa su, la casa grande de los ɨnkal awá, gente de la selva, grandes músicos de la marimba. Me acompañan la gente del trueno, ip awá; la gente de la lluvia, atu awá; la gente del río, pi awá; la gente del viento, inkua awá… además de los maestros Herminsul y Jorge Pai del resguardo Gran Sábalo, el colectivo Visionarios Attɨm Awá, y muchas otras gentes con quienes sigo aguzando mi atención y conocimiento. La actuación musical fue captada en la primera ceremonia de entrega de diplomas a los estudiantes de la Institución Educativa Attɨm Awá en el resguardo indígena Gran Sábalo, en noviembre de 2025. La producción hace parte de mi curso de doctorado en el Programa de Pós-Graduação em antropología social de la Universidad Federal de Santa Catarina.
Bio: Antropólogo, artista, investigador. Me he especializado en el estudio de prácticas musicales con la marimba de chonta entre indígenas inkal awá y practicantes mestizos del sur de Colombia, combinando investigación científica y gestión cultural. He buscado experimentar diferentes posibilidades de producir y divulgar conocimiento sobre saberes indígenas y campesinos, articulando indagaciones antropológicas con proyectos artísticos que involucran el diseño gráfico, la producción musical y/o audiovisual. Actualmente soy candidato a doctor en Antropología Social en la Universidad Federal de Santa Catarina (Brasil).
Sonoridades Afropindorâmicas diaspóricas – cura, oralidade e pertencimento | Aruanā do Amaral Gomes, 4’06”, 2026
Sinopse: Nessa obra, o piano no compasso de 5/8, marca os 5 tempos. Os 5 tempos que criam a metáfora de um processo de adoção com 5 histórias espalhadas por Minas Gerais e Bahia, repletas de pistas, sinais e significados sobre racialidades, histórias e memórias. A tecnologia, os efeitos criados, as modificações do som, as colagens sonoras, a palavra e a história oral me ajudam a ressignificar e identificar o que antes era um completo apagamento. Me ancoram e impulsionam a criar, recriar e recontar minha subjetividade, trans masculina, parda, afro originária.
Bio: Tem formação livre em música, atualmente está no doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas. Idealizou a Afropindorámica Trilhas e Sonoridades, e através dos sons, busca curar sua a história afro originária sua família, criando trilhas e experimentos sonoros eletroacústicos, corporais e orgânicos. Busca nas musicalidades afro originarias, do campo, das florestas e águas, suas referências sonoras.
Aldear a Educação | Auritha Tabajara, Paola Gibram e Tatiane Klein, 5’19”, 2026
Sinopse: Auritha Tabajara une a tradição oral indígena à literatura de cordel para contar histórias de resistência.Com uma trajetória própria na educação escolar indígena e na formação de professores, Auritha foi convidada pelo Instituto Socioambiental para celebrar, com uma composição inédita, propostas pedagógicas que estão levando os saberes indígenas para a sala de aula. O cordel cantado teve produção musical de Paola Gibram, que fez um arranjo instrumental com sanfona, percussões e vozes, construindo uma atmosfera que enaltece a expressão melódica do cordel nordestino e do canto indígena acompanhado de maracá.
Bio: Auritha Tabajara, primeira mulher indígena a publicar um cordel no Brasil, é escritora, poetisa e cordelista do povo Tabajara (CE). Paola Gibram é antropóloga (pós-doc MAE/USP) e musicista. Pesquisadora e assessora junto ao povo Kaingang, atua também como instrumentista, arranjadora e produtora musical, com experiência de documentação junto a coletivos e artistas indígenas. Tatiane Klein é antropóloga (CEsta/ USP; ISA), indigenista, pesquisadora, jornalista e cantora. É responsável pela Enciclopédia dos Povos Indígenas, no Instituto Socioambiental.
Canoita | Jose Duque, 5’42”, 2026
Sinopse: Esta composição surge do projeto de mestrado *“O baixo elétrico como instrumento solista na fusão entre jazz e ritmos do Pacífico Sul colombiano: composições nos estilos de currulao e bunde”*, orientado à criação de repertório original para baixo elétrico a partir das músicas tradicionais do Pacífico Sul colombiano. Seu processo criativo parte da análise de motivos rítmicos do bombo golpeador, do bombo arrullador e dos cununos, integrados a recursos harmônicos inspirados nas ondeadas da marimba de chonta e nas linhas melódicas das cantadoras. Esses elementos são expandidos por meio de sonoridades e cores próprias do jazz contemporâneo. O componente rítmico-eletroacústico foi construído a partir de samples de bombo tradicional, manipulados digitalmente. A obra propõe uma paisagem sonora inspirada na água, elemento central na vida cotidiana, na memória e nas dinâmicas culturais do Pacífico Sul colombiano.
Bio: José Duque é músico, pesquisador e docente colombiano, natural de Cali, atualmente residente em Florianópolis, Brasil. É graduado em Interpretação em Contrabaixo Acústico pelo Instituto Departamental de Bellas Artes (2020) e mestrando no PPGMUS da UDESC. Atua profissionalmente como performer e professor de música, com interesse na pesquisa do baixo elétrico e das músicas tradicionais afro-colombianas, especialmente das práticas musicais do Pacífico Sul colombiano.
Mestre Luiz Paixão e Dálhe | Mestre Luiz Paixão e Letícia Coelho, 3’00”, 2021
Sinopse: Mestre Luiz Paixão, rabequeiro e dono do Cavalo Marinho Boi Brasileiro (Condado PE), é reconhecido musico, compositor e instrumentista de rabeca brasileira, no país e fora dele. Leticia Coelho foi sua aprendiz, desde 2013, com idas e vindas a Condado e a São Paulo, onde o musico realizou vários shows. Ela o convidou a participar de seu disco destinado ao instrumento “No Passo da Rabeca”. Sua participação se deu por áudio de whatsapp, durante a pandemia, em que narra brevemente sua trajetória e seu método de ensino. Leticia compôs um cavalo marinho para seu professor. A faixa que contém sua participação foi o último trabalho realizado pelo artista, que faleceu 4 meses após o lançamento do disco.
Bio: Leticia Coelho é multiartista com formação acadêmica em Botânica, Musica e Etnomusicologia, e também com formação popular junto a Mestres e Mestras das tradições. Possui trabalhos de pesquisa e aprendizagem, idealizou e coordenou a Escola de Música INHOTIM e atua na formação de educadores musicais na OSESP. Possui dois discos gravados de sua autoria, dois livros publicados e um curta metragem experimental.
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Meu Amor Por Onde Está | Gaia Wilmer, 6’53”, 2022
Sinopse: Meu Amor Por Onde Está é parte de um trabalho em homenagem ao escritor, compositor, pianista e pesquisador Mário de Andrade, entitulado Epiderme Desvairada. Gaia Wilmerse utiliza das pesquisas lideradas por Mário – a famosa Missão de Pesquisas Folclóricas -, das gravações coletadas por sua equipe e das melodias transcritas pelo próprio pesquisador para desenvolver um material musical que homenageie esse Brasil Rural, tão valorizado por este artista e pesquisador.
Bio: Saxofonista, compositora, arranjadora e produtora musical natural de Florianópolis, Gaia Wilmer se divide atualmente entre o Brasil e os Estados Unidos. Gaia vem se destacando no cenário do jazz contemporâneo e da música instrumental brasileira com trabalhos autorais que transitam entre o jazz, a música brasileira, a improvisação livre e elementos da música erudita, com uma linguagem única e criativa. Seus principais trabalhos atualmente são o Gaia Wilmer Sextet, Gaia Wilmer Large Ensemble, Jaques Morelenbaum e Gaia Wilmer Duo e Ra- Kalam Bob Moses and Gaia Wilmer Duo.
Koi Txangaré (Paiter Surui) com Mawaca | Paiter Surui/Mawaca & Magda Pucci, 1’33”, 2000
Sinopse: Koi Tchangare, cantada por Uratana no LP *Paiter Merewa*, é descrita por Betty Mindlin como uma “cantiga dos índios estrangeiros”, aprendida há muito tempo pelos Suruí em outra língua. Durante anos, o sentido da letra permaneceu difuso, já que os korubey mais velhos evitavam falar sobre a canção, associada a um episódio traumático de guerra com um povo inimigo, possivelmente Zoró ou Cinta-Larga. Após um longo processo de pesquisa e escuta, realizado com a colaboração de Uraan Suruí, foi possível compreender que a letra se relacionava a um antigo ritual antropofágico. Em 2006, Uratana confirmou a origem guerreira da canção, mas contou que ela também passou a ser cantada para crianças, adquirindo novos sentidos ao longo do tempo. A versão gravada pelo Mawaca abriu o CD *Astrolabiotucupira.com.brasil* e marcou o início de um mergulho artístico e antropológico nas musicalidades indígenas brasileiras.
Bio: Magda Pucci é musicista, antropóloga e pesquisadora das musicalidades indígenas e das músicas do mundo. Graduada em Regência pela USP, é mestre em Antropologia pela PUC-SP e doutora em Pesquisa Artística pela Universidade de Leiden, na Holanda. Desenvolve pesquisas e projetos colaborativos com povos indígenas brasileiros, articulando criação artística, etnomusicologia e educação musical. É fundadora e diretora musical do Mawaca, grupo dedicado à recriação de repertórios vocais de diferentes culturas do mundo. Desde 2013 é associada ao International Council for Traditions of Music and Dance (ICTMD), integrando a Junta Diretiva do Grupo de Estudos de Músicas Latino-Americanas e do Caribe.
gErÚnDiO | Savanna Aires & Rhaissa Bittar, 1’59”, 2022
Sinopse: gErÚnDio, canção haikai que conheci em Campina Grande (PB) numa turnê. Sou cantora paulista e passei o resto da viagem com essa música ecoando. Anos depois voltei lá e gravei com a compositora. Sem roteiros, no estúdio criamos um arranjo de vozes, suspiros, sussurros, cânones e o shrutibox em dó. Este instrumento de origem indiana dá o zumbido base pros pensamentos que circulam, pras ideias que se repetem dentro do ouvido cada hora num lugar e de um jeito (por isso os cânones, aberturas vocais e diferentes emissões no canto). A repetição da música, dos tombos da vida, das perguntas sem resposta, do levante para seguir girando entre maiúsculas e minúsculas: gErÚnDio.
Bio: Rhaissa Bittar é artista paulista com pesquisa em canção brasileira, experimentação vocal, performance, narrativas sonoras e instrumentos em diferentes territórios como Brasil, China e Moçambique. Savanna Aires é cantora, compositora e produtora cultural pernambucana radicada em Campina Grande (PB), atuando na cena independente nordestina com trabalhos ligados ao samba, forró, oralidade e criação coletiva.
Mãe, em Ecos | Mariana Mostranges e Beatriz Martins Andrade, 6’16”, 2026
Sinopse: Experimento sonoro que nasce da escuta da canção “Mãe”, de Emicida, e dos afetos que ela desperta em Vanessa. A partir dessa experiência, ela fala sobre o sentimento de ser filha de Maria, mulher preta baiana. A bricolagem articula esse relato com um trecho da música e com áudios enviados por sua própria mãe ao longo do cotidiano. Esses materiais são reunidos em uma montagem sonora construída no aplicativo BandLab, em que beats criados funcionam como costura entre voz, música e narrativa.
Bio: Mariana Mostranges é historiadora, mestre e doutoranda em Antropologia Social na UFSC, bolsista CAPES, com interesse em pesquisas sobre som, música e histórias das escutas, com ênfase em afro-brasilidades. Beatriz Andrade é historiadora formada pela UFRJ e professora de História e Inglês, interessada em pesquisas sobre história das mulheres e maternidades negras no Brasil. Ambas desenvolvem trabalhos que articulam memória, história e antropologia.













